Sobre Filosofia


Havia uma cidade na qual não havia inexatidão. Desde pequenas as pessoas eram ensinadas a ser extremamente racionais, o que causava grandes problemas para os governantes, que não conseguia enganar os cidadãos como um bom governo deve fazer. Isso fazia com que eles fossem obrigados a cobrar impostos mínimos e evitar ao máximo toda a corrupção inerente a todas formas de governo conhecidas pela humanidade.

Não dava pra ficar assim, algo tinha que mudar. E para isso, foi tomada uma decisão que iria mudar a vida de todos naquela cidade para sempre: Foi criada a primeira faculdade de filosofia do local.

No começo a ideia foi um fracasso. As pessoas não iriam cursar uma faculdade na qual não teriam quaisquer perspectivas de vida. Você já pensou no que um filósofo faz depois que sai da faculdade? Ficam de papo pro ar pensando na vida? Os habitantes da cidade também pensavam nisso e a relação candidato vaga do curso era ridícula, chegando ao ponto de que se matriculava pessoas que tropeçavam sem querer na calçada da faculdade. Vendo que as coisas não estavam dando muito certo, o governo decidiu criar uma espécie de compensação financeira vitalícia bem generosa para aqueles que se tornassem os filósofos da cidade. Isso funcionou melhor do que o esperado.

Assim, apesar da rejeição inicial, a concorrência pelas vagas que o governo oferecia aumentava rapidamente. Aproveitando a onda e de maneira perfeitamente coerente com o sistema capitalista, milhares de empresários começaram a criar seus próprios cursos de filosofia, e surgiram diversas ramificações e pós graduações. Coisas como a filosofia voltada à computação, a clássica filosofia voltada à negócios, e a não tão conhecida filosofia voltada à alimentação (na qual teses de conclusões de curso eram escritas tentando chegar a um consenso se colocar ketchup na pizza era um pecado ou não) foram alguns dos exemplos de especializações que surgiram nessa área.

Foi nesse ponto que o sistema começou a entrar em colapso. As pessoas estavam abandonando suas obrigações em suas tentativas de se tornarem filósofos. Era uma carreira fácil e muito mais lucrativa. E a cidade chegou a um ponto em que todos os cidadãos se dividiam em três classes: Os donos de faculdades de filosofia, os filósofos em si, e aqueles que estudavam para se tornar filósofos. Graças a isso, algum tempo depois, o governo caiu, vitima da própria armadilha que havia plantado.

Com a queda, esperava-se que as pessoas não haviam abandonado a ideologia criada. Questionar havia se tornado um hábito de todos. E é assim que essa história se encerra. No momento em que a nação caiu, enquanto seus habitantes morriam de fome, criando questionamentos sobre a vida, o universo e tudo o mais, se o certo era bolacha ou biscoito, e a relação de tudo isso com o número 42.

Triste história? Talvez possamos filosofar sobre isso…

(Texto escrito originalmente 29/10/2007 no meu blog mhkshinigami, que infelizmente não existe mais. Dei uma editada aqui porque não gostei de algumas coisas que meu eu passado escrevia. E não tenho nada contra filósofos. Acho.)

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