(Escrito a meia noite e meia, um dia eu reviso isso)

Eu abri meus olhos, mas não fazia diferença nenhuma. A escuridão era profunda, e eu não fazia a mínima ideia do local onde eu me encontrava. Eu havia sido capturado, sem dúvidas. Eu queria dizer que estava preocupado com o que seria feito de mim, mas só conseguia me lembrar dela. Do rosto dela, do sorriso que ela mostrava quando percebia que eu estava preocupado, de tudo o que tínhamos passado. E principalmente, de seus últimos momentos. As memórias começaram a invadir meu cérebro, contra minha vontade.

***

Não fazia muito tempo que os robôs haviam dominado o mundo, e o mais engraçado de tudo é que a maior parte das pessoas nem havia percebido o que estava acontecendo. As pessoas desapareciam brevemente, e alguns dias depois ressurgiam, como se nada de errado houvesse acontecido. Mas a verdade era que naquele ponto, ela já havia sido substituída por um automato de aparência similar a ela. Pouco a pouco, os dias se passaram. Dias se tornaram meses. Meses se tornaram anos. E no final, não havia mais a necessidade de que eles se escondessem. Houve um anuncio público. “Não temam, humanos. Vocês que restaram podem viver entre nós, se seguirem nossas regras. Não queremos que vocês sejam extintos. Podemos viver em harmonia”.

Harmonia é exatamente a palavra errada para definir o que aconteceu nos dias seguintes. Houve caos, mas eles sabiam o que estavam fazendo. Provavelmente haviam previsto as revoltas, a luta inútil daqueles que não queriam aceitar o novo status quo. Talvez tivesse sido um experimento, quem sabe? Rebeliões foram facilmente suprimidas. Rebeldes ainda existem, mas em número tão ínfimo que definitivamente não deveriam ser preocupação. A maior parte daqueles que restaram apenas aceitou. Eu era um desses.

***

Como era a vida quando a maior parte da sociedade era apenas formada em sua maioria de robôs? Alguns chamariam aquilo de utopia. Não havia criminalidade. Não havia fome. Não havia com o que se preocupar. Era tudo maravilhoso, e isso nos assustava. Por que ainda estávamos vivos? Se os robôs eram tão melhores, o que os humanos ainda tinham a oferecer? Algumas vezes haviam grupos de apoio, nos quais humanos se encontravam para discutir essas preocupações. Foi lá que encontrei minha esposa. Digo, ela não era minha esposa naquela época. Mas nos anos seguintes nos aproximamos e as coisas caminharam assim. Foram os anos mais felizes da minha vida, o que tornou a descoberta pior.

Ela era um robô. Eu não sei direito como foi que aconteceu, já que tudo deveria estar automatizado sob controle das inteligencias artificiais, mas um carro saiu da estrada e veio em nossa direção. Era noite, eu estava levemente bêbado. O carro atingiu o lado do passageiro. Se ela fosse humana, ela provavelmente não teria sobrevivido. O resultado foi uma massa disforme de carne e metal. Eu olhei para aquilo, reuni minhas forças e desci do carro. Vomitei. Um carro de policia chegou em seguida, dois robôs olhando para o que havia acontecido. Um disse para o outro que aquilo era péssimo, eu não deveria ter descoberto.

Sinceramente? Não importava o que acontecesse ali comigo. Meu cérebro não conseguia processar a mentira que eu estava vivendo.

***

E agora, aqui estou eu. Os robôs me levaram para uma sala onde um velho me esperava. Ele olhou para mim sorrindo, dizendo para que eu não me preocupasse. Minha vida voltaria ao normal logo. Eu tive que sair de meu estado de choque para rir. Como minha vida poderia voltar ao normal. Ele respondeu que eu seria reprogramado para esquecer que aquela noite havia acontecido. Agora que não existiam mais humanos, meu programa era essencial para fins históricos, para entender o que havia acontecido nos últimos dias da humanidade. Eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo, quando ele abriu um painel no meu braço e apertou uma sequencia de botões. Meu sistema começou a se reiniciar.

Acho que esse blog ultimamente só tem servido pra registrar o que eu leio. E fazer com que eu me sinta velho. Eu pisco os olhos e de repente o último post que eu escrevi foi há um ano e meio, meio absurdo isso.

Bom, talvez eu devesse mudar isso e voltar a escrever?

Talvez.

Ninguém sabe o que o futuro nos reserva, não é mesmo?

Antes de começar este pequeno causo sobre minha vida, vamos deixar uma coisa bem clara: Eu já fui uma pessoa muito chorona. Sem exageros. Durante um certo período de minha vida, que envolveu toda minha infância e boa parte da minha adolescência, bastava muito pouco para que eu começasse a derramar lágrimas sem controle nenhum. Imagino que tudo o que eu chorei poderia ter resolvido o problema atual de falta de chuvas que assola São Paulo (Apesar de eu duvidar que lágrimas seriam uma boa forma de se encher uma represa).

Dado o contexto, a situação descrita neste post é algo que aconteceu lá pelos idos da minha sexta série, se a memória não me falha. O povo da classe já sabia que eu era um chorão de marca maior e muitas vezes me provocava pra me fazer chorar. Um belo dia, eu estava lá cuidando dos meus negócios (Sei lá quais eram meus negócios na quinta série, vou respeitar a privacidade do meu eu passado), quando de repente uma menina me deu um beijo na bochecha. Até hoje não tenho certeza porque, foi algo meio inesperado. Eu não achava ela particularmente bonita, mas acho que boa parte da minha classe arrastaria um caminhão por ela.

Beijo

Eu fiquei sem reação. Mas como era esperado, meus colegas começaram a me zoar. E adivinhem? Para alegria desses meus colegas (e colocando minha sexualidade em dúvida durante algum tempo), eu comecei a chorar. Todo mundo ficou sem reação por um tempo, mas logo em seguida todo mundo se recuperou, me zoou um pouco, eu chorei mais, eles continuaram me zoando mais um pouco, eu cansei de chorar e parei, e ficou por isso mesmo. Pelo menos até a próxima vez que eu chorasse por algum outro motivo.

Ou seja. Quando eu disse que fui uma pessoa muito chorona, não estou brincando nem exagerando. Essa minha fase de lágrimas durou até a oitava série mais ou menos, mas falo mais sobre isso algum outro dia.

(Esse episódio não teve nenhuma importância especial na minha vida, ou pelo menos conscientemente eu acho que não. Não entendo muito bem dessas coisas de subconsciente pra dizer muito sobre isso. Mas eu lembrei disso enquanto tomava banho e resolvi colocar aqui no blog).

(Eu acho que esqueci como se faz isso… Mas se eu não começar a tentar de novo, nunca vou conseguir desenferrujar, não é mesmo?)

Ahem. Olá a todos que ainda sabem que este blog existe. Para aqueles que chegaram agora por algum motivo, este aqui é o Sociophobia. Durante muito tempo eu costumava usar este espaço pra colocar alguns contos e textos que eu escrevia no meu tempo livre (Apesar das pessoas só gostarem do meu talento inigualável pra fazer desenhos no paint). Mas a vida seguiu, meia dúzia de coisas acabaram acontecendo, procrastinação pra cá, jogo novo pra lá e no final o blog ficou de lado por um período bem absurdo de tempo. Não que já não houvessem tidos pausas antes, mas nunca uma que durasse mais de um ano. E aí que quanto mais tempo se passava, menos coragem eu tinha de abrir o editor e rascunhar alguma coisa pra ser públicada.

Até momentos atrás, em que eu estava confortável debaixo do cobertor usando o notebook, quando resolvi abrir uma aba nova no browser e sem querer digitei a letra “W”. Uma das sugestões era o wordpress.com. Tomei isso como sinal divino, quase como se o rosto do próprio messias tivesse aparecido no meu pedaço de pão matinal para me mostrar uma mensagem de amor e solidariedade para toda a raça humana. E assim chegamos aqui nesse texto de retorno que estou tentando escrever.

Vou ser sincero, estou com bastante medo de ler os parágrafos anteriores porque eles devem estar uma bosta (E se você chegou até este ponto do texto, meus parabéns pela sua perseverança). Se a escrita é um exercício no qual o cérebro é o músculo, podemos ter certeza que estou tão fora de forma nele quanto minha barriga indica o quanto estou fora de forma físicamente. Talvez eu devesse parar de ficar tentando ressuscitar este blog e voltar pra acadêmia?

De qualquer forma. Talvez eu continue escrevendo aqui. Talvez eu só veja vocês novamente daqui a dez anos, quem sabe? Como vocês podem perceber, continuo sem saber como terminar um texto de forma satisfatória.

jogando

P.S. Imagem que ilustra mais ou menos o porque de eu não ter escrito por tanto tempo por aqui.

Era meia noite.

A garota andava de um lado para o outro do quarto. Ela estava de pé e mesmo depois de tanto tempo, não conseguia dormir. Seu celular estava na mesa ao lado dela. Ligou novamente para aquele número que tinha discado tantas vezes. Talvez fizesse parte de um ritual, mas já tinha decorado o número, e discou cada digito demoradamente.

Só para ouvir a voz dele mais uma vez:

“Você ligou para mim! Se quiser deixar um recado, tudo bem. Caso não queira, paciência. Bip”

Não disse nada e desligou o telefone. Achava que as lágrimas já tinham secado, mas descobriu que ainda conseguia chorar. Desabou em sua cama e se afundou no travesseiro. E lembrou.

***

Eram dois estranhos compartilhando uma mesa na starbucks mais próxima. Por um acaso do destino liam o mesmo livro, e aquilo serviu de estopim para uma discussão mais longa, que passou por gostos musicais, filmes favoritos e comidas preferidas, terminando com uma promessa de se encontrarem ali novamente e uma troca inocente de telefone.

Ela mal teve tempo de chegar em casa, quando o telefone tocou. Ela sabia que era ele. Mas deixou o telefone tocar um pouco, para fazer charme.

***

Fundamentalmente, os dois eram bem diferentes. Ele era ativista, ela preferia ficar em casa assistindo seus seriados. Ela gostava de literatura brasileira, ele sempre estava com um volume de algo escrito por Cornwell. Mas no fundo se complementavam. Ela ria das piadas sem graça que ele contava, da mensagem idiota que ele tinha gravada na agenda eletrônica, enquanto ele sempre estava sorrindo na companhia dela.

Ambos eram bem ocupados. Estudavam e trabalhavam e mal se viam. Trocavam milhões de mensagens pelo celular. Mas era no fim de semana que realmente viviam os melhores momentos de suas vidas. Nenhum dos dois podia reclamar. Eram realmente felizes e ninguém podia tirar aquilo deles.

***

Por isso foi um choque quando aconteceu. Estavam juntos quando ele reclamou de uma dor de cabeça súbita. Ela mandou ele ir ao médico. Ele achou besteira e voltou pra casa. Era só uma dor de cabeça a toa, já tinha acontecido antes. Ela ficou preocupada, mas assentiu. E estava em sua cama, meio sonolenta, quando o telefone tocou. A mãe dele estava desesperada no telefone. Ele havia desmaiado e estava em uma ambulância a caminho do hospital.

Quando chegou lá, o olhar do médico já dizia tudo. Ela não quis saber. Correu para fora do hospital desesperada. Seu mundo havia deixado de existir. Mesmo anos depois, nunca soube exatamente o que havia acontecido. Na verdade não importava. Tudo que sabia é que ele não estava mais lá.

***

Aquela mensagem eletrônica tinha sido gravada há muito tempo, numa época em que eles ainda nem se conheciam. Mas era a única oportunidade que ela tinha de ouvir novamente aquela voz.

(Ressuscitando textos que eu tinha guardado no drive e nunca tinha publicado. Estou com preguiça de revisar e editar, então deem um desconto).

Eu poderia encher um livro com a quantidade de coisas que eu não sei.

Pra começo de conversa, eu não sei nadar. Tive aulas de natação quando eu era criança. Mas pelo jeito nadar não é como andar de bicicleta (Quer dizer, acredito que de bicicleta eu ainda sei andar. Nunca mais tentei pra comprovar se isso é verdade ou não, conforme a sabedoria popular manda). Eu não sei jogar xadrez. Conheço as regras, ok. Mas nunca fui capaz de vencer uma única partida. É difícil demais ficar pensando em todas as possibilidades, movimentos a frente, quando eu poderia simplesmente estar movendo as peças pra frente e fazendo uma dama.

Eu não sei cozinhar. Me coloque em uma cozinha e você tem uma receita pronta. Pronta para o desastre, claro. E já que estamos nesse tópico sobre coisas domésticas, já devo dizer: Não sei lavar roupa (A menos que colocar as roupas na máquina separando por cores possa ser considerado lavar roupa. Bendita seja a tecnologia, agora por favor alguém invente uma máquina de passar). Também não sei fazer compras direito. Eu sei que é ir lá, escolher o que eu quero e ir pro caixa pagar. Mas eu não sei comparar preços, escolher o melhor custo beneficio. Não tenho paciência pra essas coisas, acho. E eu não sei ser uma pessoa organizada. Se alguém vier para meu quarto, vai achar que entrou por engano em uma zona de guerra. Em uma zona de guerra especialmente bagunçada, devo dizer.

E já que resolvemos falar das coisas que eu não sei fazer, podemos falar de minhas pequenas frustrações. Aquelas coisas que eu queria fazer bem, e de certa forma tenho uma certa invejinha de quem consegue fazer. Eu queria saber escrever bem. Sou vidrado por livros e tenho admiração pelas pessoas que conseguem enfileirar algumas palavras e fazer frases bonitas aparecerem. Eu também não sei desenhar. Minha habilidade artistica se resume a bonecos de palito desenhados no paint. Talvez esse seja meu maior talento?

Eu queria saber tocar algum instrumento musical. Aliás, eu sou meio deficiente em toda essa parte artística né? Não sei cantar nem dançar. E ok, eu sou tímido demais pra fazer um ou outro, mas gostaria de saber. No momento o melhor que eu consigo fazer é parecer um buddypoke (sim, aqueles da época de orkut) enquanto desafino com minha voz de taquara rachada.

Eu não sei como consegui me formar na faculdade. Eu não sei se meus amigos me suportam por conveniência social. Eu não sei quem vai ser a mãe em How I Met Your Mother. Eu não sei o que o futuro me espera. Eu não sei o que vai acontecer no dia de amanhã. Eu não sei o que estou fazendo da minha vida.

Já deu pra perceber, são coisas demais que eu não sei. Mas eu sei de uma coisa. Eu sei que eu te amo. E queria saber como contar isso pra você.

Disclaimer: Post Nerd. Se você pretende se ofender, favor não continuar lendo. Obrigado.

Não sei se eu cresci como deveria.

Há mais ou menos 15 anos eu era apenas um pivete sem muita noção da vida (Não que eu tenha adquirido alguma noção depois de anos, mas acho que isso não é tão relevante para esse texto). Foi nessa época a nintendo decidiu que ia criar uma franquia que sugasse a alma de milhões de jovens. Mais ou menos como uma religião, mas envolvendo mais monstros, mais game boys e muito mais dinheiro entrando no bolso da big N.

Sim, foi quando surgiu Pokemon.

Não havia Internet na época, então a informação não chegava tão rápido no sítio onde eu morava. Mas de vez em quando eu comprava revistas de videogame (Não sei porque eu fazia isso se não tinha condições de comprar o videogame em si. Talvez uma espécie de prazer masoquista, coisa de criança). E numa dessas, o relato sobre a febre pokemon. Dois jogos, dezenas de monstros, trocas com outros jogadores e muito mais coisas que fizeram com que minha cabecinha ficasse fervendo de vontade de jogar.

E graças a um amigo que resolveu me emprestar o game boy com uma cópia de pokemon red (E infelizmente não me lembro do nome dele. Pessoa caridosa, talvez você tenha mudado minha vida. Não sei se pra melhor ou para pior), finalmente pude satisfazer minha vontade. Escolhi meu Charmander e comecei a minha jornada Pokemon.

Os anos se passaram. Pokemon Gold (Na verdade Go-rudo, já que joguei essa versão em japonês), Pokemon Stadium, Pokemon Snap, Pokemon Ruby (Joguei esse apenas no emulador). Daí por algum motivo ou outro, acho que decidi que já era hora de parar. Não joguei Diamond nem Pearl. Os anos de faculdade envolveram outros interesses e quando percebi perdi uma geração inteira de jogos. Mas veio Pokemon White e eu resolvi dar uma chance novamente pra franquia que já deve ter roubado mais horas da minha vida do que as reprises de Lagoa Azul na sessão da tarde. Mais uma vez me encontrei hipnotizado jogando por horas a fio o mesmo jogo.

Ouvindo uma voz do além reclamar quando eu tentava andar de bicicleta dentro das casas. Carregando Repels e xingando a alma do centésimo zubat que aparecia em alguma caverna. Chegando na Elite Four e me tornando o campeão. Grandes conquistas. Sim, quinze anos se passaram. E ainda assim, quando a nintendo anunciou mais uma geração da franquia, lá estava eu me preparando para perder horas e mais horas da minha vida capturando esses mesmos monstros que eu aprendi a amar. Síndrome de estocolmo talvez?

Realmente, não sei se eu cresci como deveria.