Conto sobre um conto

(Para entender melhor o que motivou a escrita deste conto, favor ler este post. Não gostei muito do resultado final, mas paciência)

Era uma cidade muito pequena, do tipo que de carro você acabaria passando por tudo sem nem perceber direito que havia passado por uma cidade. E junto dela havia um rio. Se você prestasse bastante atenção, ia perceber que havia um pedaço de terra coberto por grama na beira d’água. Deitados ali, como se não houvesse nada com o que se preocupar no mundo, estavam duas pessoas. Um homem e uma mulher, aparentemente jovens saudáveis. Ele estava deitado com os olhos fechados com a cabeça sobre o colo dela. Conversavam, trocavam ideias como sempre faziam desde muito tempo. Foi ele quem puxou o assunto:

- Ei, já pensou que legal seria se nós dois estivessemos vivendo em um conto?

- Explique melhor. – Ela ergueu as sombrancelhas. Já estava acostumada com aquele tipo de ideia maluca vindo dele, mas sempre valia a pena ouvir o que havia para ser dito.

Ele se sentou e ambos se encararam por alguns segundos e em seguida se beijaram.

- Ah, ia ser muito legal. Imagine, não precisar se preocupar com as consequencias? O mundo seguiria um roteiro pré definido, então o que quer que nós fizessemos, estaria dentro do script.

- Que papo maluco. Infelizmente pra você, estamos na vida real. Isto não é um conto.

Ele coçou o cavanhaque, despreocupadamente. Olhou para o céu por alguns segundos. Ela já havia visto aquele hábito se repetir milhões de vezes, mas nunca se cansava de observa.. Ele voltou a falar:

- Ah, talvez seja um conto mesmo. Nos contos, a ação começa a se desenvolver em uma cena aleatória, ou seja: Nossa vida começou naquela cena. Você se lembra de algo que aconteceu antes de estarmos aqui sentados na grama conversando?

- Claro que me lembro. Nós dois nos conhecemos desde pequenos, começamos a namorar e agora estamos aqui, adiando uma conversa séria sobre o nosso futuro.

- Eu sei. Estou tentando adiar isso ao máximo possível. Acho que se isso fosse um conto, estariamos ouvindo a voz do narrador, certo?

Minha voz. Não, eles não estão ouvindo a narração. Ela suspirou e trouxe novamente a conversa ao ponto que precisava ser discutido.

- Vamos falar sério. Nós dois fomos aprovados em faculdades diferentes, em pontos diferentes do país. E nós dois não acreditamos em relacionamentos a distância. Acho que existe apenas uma conclusão óbvia a se chegar, certo?

- Sabe, se isso fosse um conto, poderiamos descobrir agora que eu tenho o poder de se teleportar. – Ele disse sem olhar para ela. – Daí poderiamos continuar a nos ver, pra sempre.

- A vida real não é assim tão fácil. Você sabe que isto está sendo dificil para mim também, não mude de assunto. Por favor, aceite que esta é a última vez que estamos juntos, sendo parte de um casal. Quando sairmos daqui, acabou. Então não vamos desperdiçar o tempo que temos juntos.

Ele estava desolado. Queria muito que sua vida fosse um conto, que as coisas dessem certo. As coisas na vida real nem sempre acontecem do jeito que queremos. Algumas vezes pessoas que pareciam ser protagonistas morrem, coincidências estranhas não acontecem, e pessoas acabam tendo que se separar, como aconteceu com o casal desta história.

Eles ficaram por lá discutindo e conversando por mais algumas horas. A conversa foi pontuada por beijos e carinhos tímidos. Ambos queriam conservar na memória aquela ultima vez. Estava de noite quando ela se levantou e finalmente foi embora. Ele ficou ali por mais algum tempo. Na verdade, por muito tempo, esperando o sol raiar, infeliz. E no fim, quem diria? Ele estava certo. Sua vida era um conto, só que ele havia se esquecido de um pequeno detalhe: Nem todos contos possuem um final feliz.

Mas não sou um sádico incorrigível. Há espaço para acreditar que aquela não foi a ultima vez que os dois se viram. E se posso me permitir um pequeno epílogo, talvez muitos anos mais tarde, apenas talvez, num bar naquela mesma cidade num futuro nem tão distante assim vejo os dois se encontrando novamente. Anos mais velhos, bagagem mais pesada, sorriso tímido no rosto de ambos, um ar de quem sabiam finalmente o que queriam da vida. E talvez eles irão conversar e o que acontecerá, deixo a cargo da imaginação de quem está lendo este conto.

Pequenas Mudanças

Só pra não deixar passar batido, uma descrição das alterações mais recentes que eu fiz aqui no sociophobia:

- Removi o link para a página 101-1001. Inicialmente eu achei que era um projeto interessante, mas eu desisti dele poucos meses depois. Acho que sempre foi um projeto fadado ao fracasso, dado os motivos que me levaram a começa-lo. Mas não tem ninguém que estava realmente me cobrando nesse projeto, então beleza (Sério, tinha um item lá que era pular de para quedas. Nunca que eu vou pular de para quedas nesta vida).

- Como meu projeto principal pra 2012 é ler a maior quantidade de livros possíveis (Pelo menos 50), achei justo criar uma página com um book log dos livros lidos neste ano. Mais pra frente pretendo colocar descrições e um pequeno review e coisa do tipo, mas por enquanto é só uma listagem simples mesmo.

- Reescrevi a página “Autor”. Antes disso a página indicava que eu tenho 22 anos, o que mostra uma certa desatualização de minha parte. Problema corrigido.

Eu sei que a única coisa que vocês curtem neste blog são meus desenhos em paint, então eu até faria um deles pra ilustrar este post, mas estou com muita preguiça. Então se vocês querem ver alguns desenhos inéditos aqui, visitem o blog da Marina, já que eu sou ilustrador oficial das mixtapes dela (Ou algo assim).

Por fim, juro que vou tentar escrever mais neste pobre e abandonado blog.

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