Existem pessoas que não possuem nenhuma habilidade esportiva, mas mesmo assim elas tentam dar aquele jeitinho e superar suas limitações. Eu não sou uma dessas pessoas. Como já citei em algum lugar, nunca gostei de esportes. Entre assistir um jogo de futebol e ficar navegando na Internet, sempre acabarei escolhendo a Internet, sem nenhuma dúvida. E essa minha característica sedentária existe desde meus tempos de criança inocente.
Aviso: Post com histórias de minha infância.
E foi essa pequena criança sedentária que teve a Infelicidade de se mudar para uma pequena cidade do interior, no auge de sua quarta série. Uma cidade na qual a colônia japonesa era (e ainda é até hoje) muito presente, e lá era meio que um costume fazer com que os pequenos nikkeis praticassem algum tipo de esporte.
Nessa mesma cidade, havia um time de basebal. E meu tio era técnico desse time. Um dia, ele decidiu ligar para minha mãe, e ela foi convencida a me colocar no tal time time de basebal. Eu, inocente no auge de meus 10 anos talvez com 11 na época, acabei entrando nessa furada.
Se existiu um jogador totalmente inapto para o basebal, esse alguém fui eu. Não sou nenhum corredor excepcional (E algumas vezes era emprestado para a equipe de atletismo da cidade, não sei exatamente o porque), não tenho resistência física nenhuma, além de ter os reflexos mais lerdos do planeta. Essas são características que se mantém até hoje. Em suma, entrei para o time de basebal e acabei me tornando reserva dos reservas.
Mas história de minha brilhante carreira não acaba ainda. Pois por um tempo, eu deixei o basebal um pouco de lado. Não lembro exatamente o porque. Mas sei que acabei entrando para a equipe de sumô da cidade. Sim, aquele mesmo sumô que você está imaginando. Era obrigado a usar aquelas tangas rídiculas. E eu não era nem um pouco gordo, de maneira que ficava extremamente rídiculo (Pelo menos eu usava um shorts por baixo daquilo, o que apesar de evitar embaraços, nos deixava mais rídiculos).
Desisti rapidamente de minha carreira de sumôtori. Não tinha as habilidades necessárias (E muito menos o porte físico exigido) para a prática do esporte. Continuei sendo reserva absoluto do time de basebal. E isso continuou assim por muito tempo. Muitas vezes pensei em sair. Mas foi no basebal que conheci muitos de meus amigos (apesar de ter perdido contato com várias pessoas atualmente), vivi alguns momentos memoráveis e passei por situações constrangedoras e ao mesmo tempo divertidas.
Mas tudo que é bom acaba. E mesmo aquelas coisas que não são tão boas acabam também. Minha curta carreira esportiva acabou durando até os meus dias de segundo colegial, época na qual perder os fins de semana apenas para ser um mero reserva já não era mais uma opção interessante, quando abandonei o time de basebal definitivamente.
Agora, quando olho para trás e vejo todos esses momentos não muito memoráveis, vejo que eu nunca poderia ter me tornado um atleta. Pelo menos não um atleta decente. Mas mesmo assim, de vez em quando, muito de vez em quando mesmo, aceito convites de meus amigos para passar um tempo jogando ping-pong. Afinal, ninguém é de ferro.
M.K.

