Sociophobia

RPG e Assassinato

17 Setembro, 2008 · 10 Comentários

Quando aquele dia começou, era um dia como outro qualquer. Pelo menos aparentava ser. Até o meio dia. Foi naquele momento em que eu estava encarando um corpo estirado. A figura era grotesca e causava mais do que nojo. Era uma sensação estranha. Eu havia matado. Nesse momento percebi que não havia mais volta. Tudo tinha mudado.

Não tinha certeza do que havia me levado a cometer aquela crueldade. Pensei por algum tempo e me lembrei de tudo o que a imprensa e a mídia diziam sobre os efeitos nocivos do RPG sobre as pessoas. Tudo o que eu sempre considerei bobagem. Aquela velha história de que o RPG torna as pessoas mais violentas. De que um simples jogo que incentiva a imaginação na verdade possuia centena de mensagens subliminares.

Era isso. O RPG tinha me transformado em um assassino.

Pensei em todos os momentos em que eu havia passado jogando, me divertindo com meus amigos. Dando risadas, rolando dados e exercitando meus neurônios. Também pensei em todos livros que eu havia lido para tornar minhas aventuras mais interessantes. Geografia, história, coisas que nunca havia pensado em estudar antes. E por fim, pensei nas pessoas que eu havia conhecido graças ao RPG. Um bando de pessoas divertidas. Alguns até acabaram se tornando amigos regulares.

Como eu não havia percebido antes? Todos esses eventos óbviamente iriam me transformar no que sou agora. Um bastardo de sangue frio.

Não havia mais volta. Pensei por alguns momentos e decidi continuar. Peguei um pedaço de papel higiênico, e com certo nojo removi o corpo estirado que estava grudado na parede. Em seguida, me levantei, peguei meu chinelo e continuei matando mais alguns pernilongos, desta vez com certo prazer. Eu já era um caso perdido.

M.K.

P.S. Ficou meio estranho. Mas enfim, só deixando bem claro: Eu não matei ninguém, leia com atenção.

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