Havia uma cidade na qual não havia inexatidão. As pessoas eram extremamente racionais, e isso causava problemas para o governo, que não conseguia enganar os cidadãos, sendo obrigado a cobrar impostos minímos e a evitar ao máximo toda a corrupção inerente a todas formas de governo conhecidas pela humanidade.
Algo tinha que mudar. E para isso, o governo tomou uma decisão. Criar a primeira faculdade de filosofia da cidade.
Em um primeiro momento, a idéia foi um fracasso. As pessoas não iriam cursar uma faculdade na qual não teriam quaisquer perspectivas de vida. Pensando nisso, o governo decidiu criar uma espécie de compensação financeira vitalícia para aqueles que se tornassem os filósofos da cidade. Isso funcionou.
Assim, apesar da rejeição inicial, a concorrência pelas vagas que o governo oferecia aumentava rapidamente. Aproveitando a onda, milhares de empresários começaram a criar seus próprios cursos de filosofia, e surgiram diversas ramificações. Coisas como a filosofia voltada à computação, a clássica filosofia voltada à negócios, e a não tão conhecida filosofia voltada à alimentação, são alguns dos exemplos de especializações que surgiram nessa área.
Foi nesse ponto que o sistema começou a entrar em colapso. As pessoas estavam abandonando suas obrigações, em suas tentativas de se tornarem filósofos. A cidade chegou a um ponto em que todos os cidadãos se dividiam em três classes: Os donos de faculdades de filosofia, os filósofos em si, e aqueles que tentavam se tornar filósofos. Graças a isso, algum tempo depois, o governo caiu, vitima da própria armadilha financeira que havia plantado.
Mas mesmo assim, as pessoas não haviam abandonado a ideologia criada. Questionar havia se tornado um hábito de todos.
É assim que essa história se encerra. No momento em que a nação caiu, enquanto seus habitantes morriam de fome, criando questionamentos sobre a vida, o universo e tudo o mais, além da relação disso com o número 42.
Triste história. Inspirada em uma conversa perdida durante uma aula aleatória.
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P.S. Como sempre, história de ficção. Não tenho nada contra filósofos.
